AS VÁRIAS FACES DO DESEJO SEXUAL FEMININO

Sabemos que a mulher como em vários outros aspectos é diferente do homem em relação ao desejo sexual. Desta forma, entender como este desejo acontece e qual o padrão de normalidade ajuda a lidar melhor com nossas expectativas e até com as cobranças externas.

Para a mulher o prazer pode vir de várias formas: um bom dia carinhoso, um beijo antes de ir trabalhar, uma mensagem de carinho no meio do dia, ou até mesmo um simples olhar afetivo. Inicialmente pode até parecer muito sentimentalismo, mas é assim que a mulher funciona. Sua sexualidade e desejo são aflorados aos poucos e nos pequenos gestos do dia-a-dia.

Mas falando em desejo vamos comentar dois tipos que mais ocorrem com a mulher. O primeiro é o desejo sexual espontâneo. Este desejo que está presente no homem durante toda a vida. Este desejo se apresenta de forma diferente na mulher, pois ele se manifesta no início de relacionamento, em viagens e quando há mudanças importantes na rotina. No modelo aceito atualmente de resposta sexual feminina, após 2 anos em um relacionamento esse desejo espontâneo não acontece mais na maioria das mulheres. Mas ainda teremos o desejo responsivo. Este acontece quando a mulher é estimulada por sua parceria em um momento de intimidade e percebe que aos poucos vai surgindo uma sensação boa e o desejo sexual vai aflorando e a relação sexual acontece e é bom.

Para as mulheres que estão em um relacionamento há mais de 2 anos e dizem não ter mais desejo sexual, na verdade a maioria não tem mais o desejo espontâneo, mas está mantido o desejo responsivo.

E para resgatar o desejo espontâneo requer criatividade. Se tiver filhos buscar fazer algum programa só o casal, viagem só o casal, comprar uma nova lingerie, fazer um jantar diferente. Tudo que se faça buscando uma mudança na rotina pode contribuir para o retorno do desejo espontâneo.

Um outro fator que atrapalha o desejo sexual é quando seu desejo pela vida está prejudicado por vários motivos. O estresse, ansiedade, o cansaço do dia-a-dia, a depressão são fatores que podem sugar nossas energias e por consequência sugam nossa energia sexual. Podemos até não conseguir evitar todas essas manifestações acima descritas em nossas vidas, mas podemos aprender a minimizar suas consequências em nosso relacionamento. Em alguns casos como ansiedade e depressão pode ser necessário uma ajuda profissional. Em outros poderemos dividir melhor as tarefas e nosso tempo envolvido com elas e assim encontrar um tempo para cuidar do nosso corpo e nossa mente. Com isso resgatando nossa energia vital e com ela nossa energia sexual terá mais espaço em nossos dias.

 

Conhecer melhor como funcionamos nos dá mais oportunidades de entender o que é normal e o que de verdade é problema. Mas se você acha que tem um problema de ordem sexual, marque uma consulta e converse com seu(sua) ginecologista. Este profissional conseguirá lhe orientar e ajudar.

Dra Karla Frota

Ginecologia,  Obstetrícia e  sexualidade

CRM DF  -  16765